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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Artigo: Alcoolismo feminino: um vício escondido

Foto: Reprodução


Por Anna Carolina Lima*

A mulher moderna é fruto de diversas conquistas de direitos. Todos nós sabemos disso. Ela trabalha fora, cuida da casa, dos filhos, do marido, sofre constante pressão por todos os lados para se destacar em todos os aspectos da vida e é mais independente.

Essas e tantas outras funções que a mulher assume, aliadas a outros fatores, contribuem para a vulnerabilidade de uma doença que vem crescendo consideravelmente no meio delas: o alcoolismo. Hoje a mulher já sai de casa para beber em bar e em festas, o que também pode contribuir para passar de uma bebida social para transformar-se em vício. Antes isso não era comum e alcoolismo era problema de homem.

São diversos os fatores que podem levar ao alcoolismo e envolvem aspectos de origem biológica, psicológica e sociocultural. A mídia também tem sua parcela de culpa por incentivar o uso do álcool, através de propagandas massivas.

Segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas por mulheres passou de 8,2% para 10,6% entre 2006 e 2010. E a doença (quando não existe mais o controle), considerada grave pela Organização Mundial da Saúde (OMS), gera prejuízos biológicos bem mais graves às mulheres dos que aos homens.


Entre as consequências da ingestão constante e descontrolada de álcool pela mulher estão lesões no fígado (como cirrose), há mais riscos de sofrer de hipertensão arterial, câncer de boca, garganta, esôfago e de mama, derrame, danos no coração, depressão, problemas ginecológicos como menstruação ausente, abortos espontâneos e infertilidade (na gravidez pode provocar retardo mental do bebê), e os danos na região do cérebro são três vezes mais rápido do que do sexo masculino nas mesmas condições, segundo um estudo publicado em 2012 no periódico Alcoholism: Clinical and Experimental Research.

A pesquisa revelou que a função da serotonina (neurotransmissor que atua no cérebro regulando o humor, o sono, a atividade sexual, o apetite, o ritmo cardíaco, a temperatura corporal, a sensibilidade à dor, os movimentos e as funções intelectuais) é bem mais comprometida nas mulheres.

O corpo da mulher tolera bem menos o álcool do que o organismo do homem. Eles demoram, em média, dez anos para desenvolver o vício. Já elas sucumbem em até cinco anos. Isso acontece porque as mulheres têm um menor volume de água no corpo e mais gordura em relação aos homens, ou seja, o álcool fica mais concentrado no sangue. Uma mulher que ingere mais de 14 doses por semana já corre risco na saúde. A idade onde se encontra a maior incidência de alcoolismo feminino está entre 26 e 34 anos.

A prevenção e o tratamento da dependência alcoólica devem levar em conta fatores socioambientais característicos de cada paciente. Entre os tratamentos para a doença estão terapias, medicamentos, programas baseados nos 12 passos do AA (Alcoólicos Anônimos), Tratamentos Psicossociais e Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, hospitais-dia (terapia que tem sido o mais indicado para casos de alcoolismos graves) e, por último, a internação.

Infelizmente ainda não existe cura para a dependência alcoólica. O que existe é um controle.

Então, se você é daquelas que tem necessidade de beber maiores quantidades de álcool, já passou a beber diariamente e sem motivo, dá ao álcool uma importância bem maior do que o normal e deixa de fazer coisas que antigamente fazia para ficar bebendo, é um sinal de que você está sofrendo de alcoolismo e é hora de procurar ajuda.

* ARTIGO PUBLICADO NO PORTAL DIGA, SALVADOR!

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